terça-feira, 16 de novembro de 2010

Analise do livro “Germinal” e do conto “Civilização” : uma crítica a sociedade burguesa do séc. XIX .


Produzido no final do século XIX, o livro “ Germinal ” e o conto “ Civilização ”, nos mostram personagens centrais de grandes e importantes clássicos da literatura francesa e portuguesa .Onde nos revelam importantes aspectos vividos pela sociedade da época e historias de vidas de diferentes níveis sociais.A analise das duas histórias nos trazem uma reflexão de revolta por conta da cruel exploração do homem pelo o homem e a revolta da luxuria a uma vida simples e feliz.

A obra Germinal de Émile Zola, que inclusive-o consagrou um dos maiores escritores de todos os tempos, nos apresenta a vida do jovem Étienne Lantier que luta intensamente em busca de uma transformação político e social da situação na qual vivia a França especialmente a cidade de Montsou no séc. XIX .

Étienne saiu da cidade de Marchiennes em busca de trabalho, e passando pela cidade de Montsou avistou uma Mina de carvão,a Voreux, interessado e curioso chegou ate lá e conversando com os mineiros que ali trabalhavam se tornou amigo da família Maheu,que moravam na aldeia dos mineiros,Étienne logo conseguiu trabalho na mina Voreux, que tinha o pagamento quinzenal e por produtividade,o carvão era retirado do subsolo em vagonetes e o pior eram que os mineiros se sujeitavam, para não morrer de fome, a perder suas vidas por um salário muito baixo pois os riscos de desmoronamentos e explosões eram muito grandes na mina.

O jovem convivendo assim de perto com os sofrimentos de todos os mineiros, de ter alguns dias de ninguém ter nada pra comer nem beber, a miséria muito grande e o trabalho difícil e cansativo e ainda correndo o risco de serem soterrados se acontecesse algum desmoronamento na mina, enquanto os donos e chefes das minas não estavam nem se preocupando com a situação,Étienne vendo tudo isso e passando por isso resolveu tomar uma atitude.Conversou com todos os mineiros e convenceu-lhes de fazer uma greve pedindo o aumento de salário aos patrões, a greve atingiu as minas de toda a região, enfurecendo os seus donos , passados se dias de greve os mineiros e suas famílias não tinham mais o que comer,assim dormindo e acordando todos os dias sem comer um pão se quer, e os donos das minas não queriam aumentar o salário pensando eles que os mineiros iam desistir dessa greve rapidamente, mas os mineiros persistentes continuaram pois se voltasse atrás ia ser muito pior do que antes para eles.

Com a continuação da greve as pessoas foram ficando desnutridas, as crianças morrendo de fome ai sim os mineiros pensaram em parar a greve, mas resolveram continuar.Os donos das minas começaram assim a contratarem os burgueses para trabalhar para eles e também na entrada das minas colocaram muitos policiais de segurança caso houvesse algum ataque .Enfurecidos com aquilo os mineiros foram até as minas e começaram lutar com os policiais pois eles não aceitavam os burgueses ali trabalhando,houve muita morte e pessoas feridas. O conflito repercutiu e a mina é reaberta com uma pequena melhoria salarial. Porém, as condições permaneceram precária.

Não dando certo a greve, Étienne é convidado a ir trabalhar em Paris e assim começa a sonhar novamente, se está mais perto de grandes cargos sonha em chegar até eles e resolver os problemas dos mineiros.

O "Germinal", nos mostra a situação de miséria em que se encontravam os mineiros franceses; as relações entre capitalistas e operários; as greves e o sindicalismo; as necessidades humanas em contraste com as necessidades materiais.

O conto Civilização é uma obra de Eça de Queirós, aonde é narrada a vida de Jacinto, um homem novo e culto que vivia luxuosamente, rodeado dos mais sofisticados e recentes inventos e das mais belas obras-primas da literatura. De fato, Jacinto era um homem sempre aborrecido, desanimado e entediado, apesar do luxo em que vivia.

No entanto, toda essa vida de Jacinto, cheia de luxos, não fazia dele uma criatura feliz. Aos vinte e oito anos, ele lia Shopenhauer, Eclesiastes e vivia sempre entediado. Jacinto procurava preencher sua carência através da incorporação das invenções científicas na vida cotidiana..

Tudo havia de mudar quando o protagonista decidiu ir passar uma temporada bem longe da civilização. Jacinto tentou superar o isolamento enviando para aí todos os equipamentos técnicos e demais apetrechos que julgava indispensáveis a uma vida civilizada e luxuosa. Contudo, ao chegar, percebe-se que os caixotes enviados não tinham chegado e que a nenhuma da suas ordens, relativas à realização de obras na casa, tinha sido cumprida.

Inicialmente desmoralizado e ainda mais pessimista com tamanha "tragédia", Jacinto é, subitamente, invadido e transformado pela beleza e simplicidade da vida campestre. E vai ser assim, longe da civilização, dispensando os exageros do luxo, que Jacinto redescobre o prazer e a alegria de viver.

O conto tem como principal objetivo criticar o tipo de progresso que torna o homem escravo de uma sociedade de consumo e pode ser estruturado em duas partes: a primeira representa uma crítica à sociedade civilizada; a segunda, uma solução para essa crise.

O que vemos no livro Germinal e no conto Civilização é uma critica a sociedade burguesa na qual vivia com muito luxo que talvez nem os trazia a tanta felicidade, é como nos mostra um trecho do livro Germinal na fala do burguês Hennebeau : “Imbecis!__disse o diretor, com os dentes cerrados.__ Pensam que sou feliz!O clamor por pão continuava cada vez mais forte.Sua cólera contra aquela gente aumentava;eles não compreendiam nada.Teria dado de boa vontade o seu salário para poder ter,como eles, um relacionamento sexual fácil e sem remorsos.Seu casamento destruído ,sua vida angustiada causaram-lhe um aperto no peito.” . Os mineiros de Germinal sempre pensava que seus chefes viviam em uma vida somente de alegria pois com tanto dinheiro quem podia sofrer, ao contrario deles que sofriam noite e dia trabalhando e não tendo nada de comer é como diz no livro: “O guarda-comida estava vazio,os pequenos queriam pão,o café tinha acabado, a água dava dor de barriga,e ela passava dias longos tentando enganar a fome das crianças com repolho cozido.” disso a burguesia não passava mas também tinha suas dificuldades e tristezas .

No conto Civilização já vimos um rapaz na qual vivia luxuosamente, mas isso tudo não trazia a ele a felicidade e assim decidindo se afastar da vida luxuosa preferindo viver na simplicidade da vida,e em trechos do conto podemos ver isso de forma bem clara quando o narrador mostra que a vida feliz está totalmente desligada da vida moderna, e que só seria possível viver feliz consigo mesmo e com o mundo, se cada um vivesse longe da civilização. Viver como agora vivia Jacinto: “na varanda, em Torges, sem fonógrafo e sem telefone, reentrado na simplicidade” vendo, sob a tarde calma “a boiada recolher-se entre o canto dos boieiros ao tremeluzir da primeira estrela”.

E por fim, notamos que os dois livros tem uma contradição em seu enredo, trazendo nos a historia de pessoas que lutavam para conseguir o poder financeiro, como diz Étienne em um trecho no livro Germinal: “Queria abrir os horizontes daquelas pessoas,elevá-las ao bem-estar e as boas maneiras da burguesia, torná-las patrões... mas como o caminho era longo!”.E no outro uma pessoa abandonando sua vida luxuosa por uma vida simples,aonde achava que ali sim havia a felicidade.

Mas também percebemos sim que o conto Civilização e o livro Germinal tem uma ligação forte quando nos mostram que os burgueses tinham de tudo, e até mal tratavam um pouco as pessoas inferiores socialmente a eles, mas na verdade eles não tinham essa felicidade que todos achavam que tinha e que até queriam ser como eles, como diz um trecho de Germinal : “Seu ódio aos burgueses é apenas o desejo de ser como eles.”

KARLA E NAYANE

Fonte: http://recantodasletras.uol.com.br/teorialiteraria/1435320

www.profaureachristina.blogspot.com

ZOLA,Émile.Germinal;tradução,adaptação e apêndice Silvana Salerno;2º ed.São Paulo:Schwarcz,2002.p.7 – 255.

Um comentário:

  1. Gostei de ver. Mas tem que revisar o português.
    Bom trabalho inicial.

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